quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ORIENTAÇÕES PARA O PREENCHIMENTO DO FORMULARIO DE REGISTRO DO PLANO DE AEE

Orientações para o preenchimento do Formulário de
Registro do Plano de AEE

O plano de AEE são as ações desenvolvidas para atender as necessidades do estudante. São específicas do AEE para que o estudante possa ter acesso ao ambiente e conhecimentos escolares de forma a garantir a permanência, participação e desenvolvimento do estudante na escola.

1. Identificação do aluno:
Solicitar na escola o prontuário do aluno para preenchimento.

2. Resumo do Caso:
Relatar brevemente a história de vida do aluno.

3.Registro sobre uso de medicações:
Em contato com a familia solicitar receita médica para registrar a medicação do aluno.Caso ele não faça uso, indicar na ficha.

4.Tipo de dificuldade:
Tendo o relato  do caso em mãos, identifique e assinale o tipo de problema que o aluno apresenta, pode assinalar mais de um tipo. Registre no campo de observações aspectos relevantes que complementem o item.

5. Habilidades, dificuldades, intervenções e resultados esperados.

A- Função Cognitiva

Desenvolvimento Psicomotor:
Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.
É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização

 
Exemplos:Função motora fina, função motora grossa, marcha, postura, descer escadas, pular corda, dançar, recortar, equilibrio, coordenação olho-mão, jogar bola, lateralidade, orientação espaço-temporal, postura, etc.
Esquema corporal: observar condições de equilíbrio motor, a capacidade de aplicar conceitos espaciais e de lateralidade em seu próprio corpo, se é capaz de reproduzir estruturas rítmicas.
Coordenação grafo- manual: observar a qualidade dos traçados realizados com instrumentos grossos e finos, representação gráfica esquemática ou reconhecível.
 
Comunicação e linguagem
 
Compreensão verbal: compreensão de diálogo, entendimento das palavras e seus significados aplicados, definição de palavras por suas características, compreensão do significado de uma leitura oral de um texto ou explicação.
Raciocínio Verbal: compreensão de relações de igualdade e diferença entre duas ou mais palavras, compreende relações entre o essencial e secundário num texto ou numa história.
Fluência Verbal: faz relatos do cotidiano ou de histórias com seqüência lógica e compreensiva, inventa frases, descreve cenas, faz narrativas orais, manifesta e explica seus pensamentos ou idéias.

Memória
 
Memória visual: reconhece lugares conhecidos e desconhecidos, reconhece itinerários de seu cotidiano, lembra-se de narrativas e reconta histórias oralmente, repete uma seqüência de palavras significativas.
Memória verbal e numérica: relata coisas que fez durante o dia em seqüência temporal correta, é capaz de dar recados em ambiente familiar ou escolar, repete frases complexas, reconhece datas significativas como: aniversário, páscoa e natal. Sabe dizer a sua idade e reconta contos e histórias com suas próprias palavras.

 Atenção e concentração
 
A atenção trata da organização do comportamento, é a capacidade de se manter centrado na atividade realizada.Exemplo: seleção e manutenção do foco, concentração,compreensão de ordens, identificação de personagens, etc.
 
          Nível de abstração; capacidade de representação ou simbolização.Exemplo: verbal, escrita, desenho, gestual ou expressão corporal.
          Nível de Generalização: capacidade de fazer uso de determinado conceito em outros contextos ou situações.O desenvolvimento dessa habilidade mantém relação com raciocinio, memória voluntária, a criatividade dentre outras funções.
          Criatividade: capacidade de solucionar problemas com exito ou realizar atividades de formas diferenciadas, não convencionais, por meio de desenhos, dramatizações, danças e etc. No entanto, a criatividade, revela desenvolvimento das funções mentais superiores que, por sua vez, indicam potencialidade e capacidade para internalização dos conteúdos abstratos e complexos.

Raciocinio lógico

Ao avaliar o aluno, considere os seguintes aspectos: Compreensão de relações de igualdade e diferença, reconhecimento de absurdos e capacidade de conclusões lógicas; compreensão de enunciados; resolução de problemas cotidianos; resolução de situações problema, compreensão do mundo que o cerca, compreensão de ordens e enunciados, causalidade,sequencia lógica, etc.

Percepção
 
 Ao avaliar o aluno, considere os seguintes aspectos: percepção visual, auditiva, tátil, sinestésica, espacial e temporal.

Aprendizagem
 
Mencionar a estabização do alfabeto,nomes, números, sequência numérica, etc.
Citar as fases da escrita segundo teoria da “Teoria da Psicogenese da Lingua Escrita” de Emilia Ferreiro.
Avaliar a leitura e produção textual.
Avaliar a aprendizagem das operações matemáticas.
Compreensão de relações de igualdade e diferença, compreensão de enunciados, capacidade de conclusões lógicas, resoluções de problemas cotidianos, compreenção de ordens, causalidade, sequencia lógica, etc.

B- Área Emocional / Afetiva / Social

Sociabilidade/ afetividade
 
É o envolvimento do aluno com os colegas, professores e funcionários, além de ter relação com a questão do interesse de regular o comportamento, as interrelações em sala de aula oportunizam “trocas”  que resultam em aprendizagens significativas.
Relatar o relacionamento do aluno com a família e também como ela aceita a deficiencia e apoia os atendimentos. E como é a relação com o meio social. Por exemplo:Estado emocional, reação a frustração, interação grupal, cooperação, resistência as regras, timidez excessiva, enfrentamentos de medos e inseguranças.

Atividade da vida autônoma( AVA)
 
Ao  avaliar o aluno, considere os seguintes aspectos: se é capaz de ter autonomia em atividades da vida diária como: comer, uso do banheiro, locomoção, vestir-se, calçar-se, abotoar as roupas, higiêne pessoal, etc.

C. Desenho
 

 

Para Piaget a criança desenha menos o que vê e mais o que sabe. Ao desenhar ela elabora conceitualmente objetos e eventos. Daí a importância de se estudar o processo de construção do desenho junto ao enunciado verbal que nos é dado pelo indivíduo.
GARATUJA (2 aos 4 anos)
 
  1. Desorganizada: movimentos amplos e desordenados. Ainda é um exercício. Não há preocupação com a preservação dos traços, sendo cobertos com novos rabiscos várias vezes.
  2. Ordenada:movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. Figura humana de forma imaginária, exploração do traçado; interesse pelas formas.
  3. Nominada:
  4. Escrita.
PRÉ-ESQUEMÁTICA (4 aos 7 anos)
 
-          Conquista da forma;
-          Descobre a relação entre representação e coisa representada;
-          Tanto o espaço quanto a cor são usados segundo seu significado emocional e não tem, na maioria das vezes, relação com o real.
 
ESQUEMA ( a partir dos 7 anos)
 
      -   Organiza a forma no espaço do papel;
-       Repete esquemas desenvolvidos para uma determinada coisa;
-       Tamanho e proporção são relativos ao sentimento, mas também ao conhecimento sobre as coisas, assim como a cor.
 
REALISMO (início aos 8 anos)
 
-          Muitos adultos não chegam a esta fase;
-          Preocupação em fazer construção exata do real;
-          Preocupação estética;
-          Maior exigência;
-          Figuras humanas diferenciadas;
-          Figura-fundo;
-          Pintura


 

6. Outros Dados que são Importantes para a elaboração do Plano.
 
Vamos pesquisar, dentro das ações necessárias, o que já existe disponível na U.E., o que o aluno traz com ele.

7. Objetivos do plano

Considerando as necessidades listadas , organize seus objetivos de intervenção de forma clara e prática.
Com base nas dificuldades enfrentadas pelo estudante na participação e desempenho de atividades para seu aprendizado e com base nas potencialidades deste estudante, liste quais são os objetivos.

8.Organização do atendimento
 
Para atingir estes objetivos como você propõe a organização dos atendimentos de AEE?
Incluir o período para o desenvolvimento da atividade. Observar a coerência entre o período pretendido e a realização da atividade, e analisar o desempenho do estudante ao longo das atividades.

9 Atividades Pedagógicas a serem desenvolvidas no atendimento ao estudante
 
Para atender a cada um dos objetivos propostos descreva atividades que pretende realizar.

10-Seleção de materiais a serem produzidos para o estudante. Necessidades de adequações.
 
(Por exemplo, para comunicação facilitada ou alternativa). Reveja os objetivos e as atividades propostas e relacione os materiais necessários para a efetivação de sua proposta.

11-Recursos Humanos previstos.
 
Indicar a necessidade de A.D.I.

12. Seleção de materiais e equipamentos que necessitam ser adquiridos
(Informática acessível/tecnologia assistiva, mobiliário adaptado,...). Dos materiais selecionados no item 5, quais não estão disponíveis em sua escola e necessitam ser adquiridos?

13- Tipos de parcerias, profissionais e/ou instituições, produção de materiais para o aprimoramento do atendimento ao aluno.
 
A partir das informações que você já tem do caso, que profissionais poderão colaborar com o AEE para que haja maior compreensão do caso e que possivelmente possam se tornar parceiros de um trabalho em rede colaborativa?
Exemplo: Caps, Psicólogo, Neurologista, Fisioterapeuta, Psiquiatra, Fonoaudiólogo, Oftalmologista.

Pensando nos profissionais já listados no item anterior, como você proporia o trabalho em parceria?
Que mecanismos deveriam ser constituídos para que haja o fortalecimento desta equipe, a comunicação imediata das novidades e novos propósitos (necessidades)? Que instituições podem colaborar com o projeto de inclusão de seu estudante e de que forma isto poderia acontecer?
Descrever os recursos/materiais que serão produzidos e utilizados para o aluno no AEE.

14. Lista dos principais resultados esperados
 
Faça uma lista dos principais resultados esperados. Cada um dos objetivos projetados deverão produzir resultados pela intervenção do AEE. Quais são os resultados que você espera em cada um dos objetivos propostos? Esta projeção será muito importante para verificações em reavaliações.
Quando um objetivo não for alcançado poderemos revê-lo e adequá-lo ou então, precisaremos mudar as estratégias (atividades) propostas no atendimento.

15. Orientação sobre os serviços e recursos oferecidos ao estudante na comunidade escolar.
 
A quem e quais? Descreva a quem o AEE irá orientar e quais são as informações relevantes a serem passadas, no caso apresentado.

16.Avaliação dos resultados
 
Visa antecipar ou indicar maneiras de como avaliar os resultados esperados. Indicação das formas de registro.
          O plano deverá ser avaliado durante toda a sua execução.
          O registro da avaliação do plano deverá ser feito em um caderno ou ficha de acompanhamento,onde serão descritos pelo professor do AEE o uso do serviço e do recurso em sala de aula, durante o AEE e no ambiente familiar.
          No registro deverão constar as mudanças observadas em relação ao estudante no contexto escolar. O que foi que contribuiu para as mudanças observadas. De que forma as ações do plano de AEE repercutiram no desempenho escolar do estudante.

17. Reestruturação do Plano (semestralmente)
 
Relacionar pontos de reestruturação do Plano de AEE, caso os resultados esperados não sejam atingidos.
 
          Pesquisar e implementar outros recursos.
          Estabelecer novas parcerias.
          Outros.







quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CADA UM APRENDE DE UM JEITO

Cada um aprende de um jeito. Professores propõem a alunos de 1ª a 8ª série com deficiência as mesmas atividades planejadas para os demais Meire Cavalcante (novaescola@atleitor.com.br) A lei é categórica: todas as crianças e jovens de 6 a 14 anos devem estar matriculados na rede regular de ensino, sem exceção. Entre os objetivos que se apresentam, está o de ensinar os conteúdos curriculares de uma forma que permita também aos que têm deficiência mental aprender. Para alcançá-lo, é necessário respeitar o ritmo e os limites de cada aluno e propor as mesmas atividades a toda a turma - incluindo os estudantes que têm deficiências como síndrome de Down, síndrome de Williams e autismo. Algumas estratégias utilizadas pela Escola Viva, em Cotia (SP), e pela EMEF Professor Francisco Weiler, em Morro Reuter (RS), permitem que essas crianças e jovens não freqüentem as aulas apenas como um passatempo ou uma atividade de recreação. O conceito de inclusão deve estar contemplado no projeto pedagógico da escola. Atividades com esse propósito se encaixam no dia-a-dia dos professores e alunos (veja os quadros desta página e das seguintes) e tendem a dar resultados a longo prazo. Na Escola Viva, por exemplo, todos os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos materiais que os demais, garantindo que ninguém se sinta discriminado. João Gabriel Uemura, 16 anos, é aluno da 8ª série e no começo do ano fez questão de que a mãe comprasse para ele cadernos para todas as disciplinas, mesmo não sabendo ler e escrever de forma convencional. Assim como os colegas, João colou nas capas imagens de seus heróis preferidos. Isso o faz se sentir parte do grupo. O simples fato de ter o material já ensina. Certa vez, Diogo Mitsuro Nakagawa, 15 anos, aluno da 8ª série, disse a Rossana Ramos, diretora da escola: "Amanhã é sábado e eu vou passear com meu pai". A diretora perguntou como ele sabia que o dia seguinte seria um sábado. Ele respondeu: "Porque hoje teve apostila de Sociologia. Então hoje é sexta-feira". Segundo Rossana, ter um material que estabelece a rotina da escola deu a esse aluno a noção de tempo. "Essa foi à aprendizagem dele naquele momento." Escrita própria Outra preocupação constante dos professores é pedir que esses estudantes escrevam, não importa como ou o quê. Na Escola Viva acredita-se que todos podem avançar e cada progresso é percebido e comemorado. Apesar de também ter baixa visão, João usa todos os cadernos e não deixa de registrar uma lição sequer. Quando entrou na escola, há cinco anos, as páginas eram repletas de desenhos e rabiscos. Nesse tempo, ele aprendeu a escrever seu nome, percebeu que a escrita se faz da esquerda para a direita e passou a rabiscar no caderno pautado "minhoquinhas" (a chamada escrita social), que iam do começo ao fim da linha. Hoje, ele reconhece que os textos são compostos de muitas palavras. Por isso, ele dispõe diversas "minhoquinhas" na mesma linha. Para deixar o caderno organizado e bonito, João sempre coloca "título" e "data" nos trabalhos, com canetas de cores diferentes. "No caderno de Matemática, no entanto, ele só usa números", conta Rossana. A proposta pedagógica leva em conta também as necessidades de adaptação dos alunos com deficiência a pessoas e ambientes novos. É comum essas crianças e jovens, assim que entram na escola regular, não quererem permanecer mais do que cinco minutos dentro da sala de aula, terem comportamentoagressivo ou se refugiarem no isolamento. Quando chegou à adolescência, muitas vezes Davi Nascimento da Silva, hoje com 15 anos, aluno da 8ª série, não queria nem saber de entrar na classe. Não conversava, apenas passeava pelos corredores ou ficava sentado no parque, onde ele se sentia mais à vontade. Em vez de insistir para que Davi permanecesse em sala, os professores levavam a turma para o parque e lá davam suas aulas. Isso ajudou muito o garoto a se aproximar do grupo. A equipe da escola se orgulha dos progressos do menino. Hoje ele conversa, brinca e joga bola com os colegas, participa de todas as aulas - do lado de dentro da sala - e respeita a rotina e as regras comuns a todos. "Nos dias em que o Davi está mais agitado, deixamos que ele saia um pouquinho da sala. Ele dá um passeio, volta e retoma as atividades", afirma a coordenadora, Daniela Jarandilha. Na escola Professor Francisco Weiler, o cuidado com o outro faz parte da rotina da garotada. Nas salas em que há estudantes com deficiência, os professores organizam um rodízio para determinar quem vai auxiliar o colega a cada dia. E essa mãozinha não se limita às tarefas de classe. O ajudante da vez acompanha o amigo na hora da merenda, escolhe um livro e conta a história para ele ou o ajuda a ir ao banheiro. "Eles se sentem importantes com essa atribuição e é esse sentimento que queremos despertar", afirma a diretora, Dayse Eckhard Ondan. A participação da família A aprendizagem sobre a importância da inclusão chega até os pais. "Eles aprovam a experiência diária dos filhos. Muitos contam que as crianças se tornam mais cooperativas", constata Dayse. A mudança de atitude é fruto de muita conversa e da parceria com as famílias. No início das aulas, os pais participam de uma reunião em que a equipe pedagógica explica os procedimentos da inclusão e qual o papel da garotada nessa área. Ao longo do ano, também assistem a quatro seminários, em que podem tirar dúvidas e sugerir temas de discussão. Todas essas diretrizes fazem das duas escolas espaços abertos às diferenças. Nelas, as crianças com deficiência ganham muito, pois são estimuladas constantemente a avançar e as demais aprendem a respeitar os colegas. Os pais, que estudaram em escolas onde a convivência com as diferenças não fazia parte da proposta, têm a oportunidade de aprender junto com os filhos um comportamento solidário e cidadão. Cor no material Foto: Daniel Aratangy Crianças e jovens com deficiência mental geralmente têm dificuldade de se concentrar por muito tempo. Para prender a atenção delas, são recomendadas atividades dinâmicas e que envolvam muitas cores. Leila Splendore, coordenadora de Matemática da Escola Viva, tem uma estratégia simples: usar gizes coloridos ao escrever no quadro e dar lápis de cor e canetinhas para os alunos fazerem seus registros nos cadernos. Ela também cria jogos com tabuleiros bem coloridos em que utiliza elementos do cotidiano da turma: números de duas casas, que podem ser relacionados à idade dos alunos, e papéis representando cédulas de real. Trabalho em grupo Foto:Tamires Kopp A criança com deficiência mental deve ser solicitada a participar de todos os projetos junto com a turma. Na escola Professor Francisco Weiler, a professora da 2ª série Jóice Mallmann organiza as crianças sempre em grupos, para estimular a colaboração entre todos e integrar Bianca Amado Farias (à esquerda), 8 anos. Na hora de produzir um jornal sobre Morro Reuter, o município gaúcho onde mora, ela ajudou a escrever os textos e também a fazer as ilustrações, tudo com muito capricho. Portfólio exibe os avanços Foto: Daniel Aratangy Fazer um portfólio com as produções da garotada durante sua permanência na escola é fundamental para ajudar a acompanhar o progresso de cada um e planejar novas intervenções. No caso das crianças com deficiência mental, esse recurso mostra que elas também avançam - o que é animador para seus professores. Em 2003, Diogo, aluno da 8a série da Escola Viva, escrevia uma letra em cada página do caderno. Agora, ele já assina o nome, usa números e escreve algumas palavras com várias letras. Hora do faz-de-conta Foto: Tamires Kopp A professora Jóice sempre sugere às crianças inventar as próprias brincadeiras. Nada está pronto: elas têm de usar, por exemplo, almofadas, bexigas, fantasias, tecidos e papéis. No início de 2005, quando entrou na escola, Bianca (à direita) apenas observava essas atividades. Com a insistência dos coleguinhas, ela hoje participa, sorridente, e escolhe as roupas que quer vestir. Brinca de princesa e, ao final, senta em roda com os colegas e a professora para contar o que fez. A garota já participa da fantasia dos amigos e ensaia as próprias. Os cinco sentidos Foto: Daniel Aratangy Utilizar materiais com diferentes texturas, estimular o olfato dos alunos e fazê-los aguçar os ouvidos são estratégias valiosas. Para divertir a turma do 1º ano do Ensino Fundamental e prender a atenção de Clayton Deutschle (segurando o livro), 10 anos, a professora Juliana Zimmer, da escola Professor Francisco Weiler, inicia as aulas com dança e canto. Na hora da leitura, ela pede que as crianças façam gestos e produzam sons relacionados ao enredo. Atividade manual:  Quando um aluno termina a atividade antes dos colegas, pode começar a tumultuar a aula ou tirar a concentração dos demais. A criança com deficiência mental não é diferente. Ela muitas vezes perde o interesse pelas tarefas. Por isso, é importante sempre deixar na sala materiais de artes para que todos possam colar pintar, desenhar, moldar ou bordar no tempo livre. Essas atividades ajudam também a melhorar a concentração dos alunos com deficiência. No contato com a arte, Valentina Chaluleu, 15 anos, aluna da 7ª série da Escola Viva, aprimora a concentração e demonstra interesse pelas tarefas.